A Adequação de Trama de “Remember Me”

Livros-jogos têm como alvo o público jovem (de mente jovem), apresentam principalmente aventuras de fantasia ou terror, porém, o livro-jogo “Trancado por Dentro” trata de um drama, que desperta pouco interesse para o público jovem (mas não necessariamente para o de mente jovem).
Por que o autor teria feito essa escolha infeliz de utilizar um livro-jogo para contar um drama?
Isso acontece porque algumaRememberMe01s histórias precisam de uma mídia específica para serem contadas em sua totalidade, ou até mesmo para fazerem sentido.
E é por isso que alguns livros excelentes tornam-se filmes ruins.
Essa necessidade de uma mídia específica acontece com “Remember Me”, um genial videogame de ação/história de ficção científica.
Quase nada é novidade em “Remember Me”, a engine de luta é quase tão boa quanto a da série “Arkham”, as atividades de parkour são inferiores às de “Assassin’s Creed”, os “quick-time events” para finalizar chefões não são novidade desde “God of War”, manipular elementos do cenário para alterar eventos da trama são tão velhos quanto “The Day of The Tentacle” (um “like” para quem conhecer essa referência).
E não é só na jogabilidade que “Remember Me” não inova: invasão de subconsciente e manipulação de memórias já foram abordados em “Inception”, Total Recall” e “Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças”. Temos também distopias como em “1984”, vício em drogas mentais como em “Estranhos Prazeres”, mutações massivas como em “Eu sou a Lenda”; e ainda por cima, os mistérios da trama são formados por clichés clássicos.
RememberMe02
Apesar de tudo isso, e provavelmente por causa de tudo isso, “Remember Me” é uma experiência memorável.
A jogabilidade é eficiente, a exploração é simples para quem só quer seguir adiante na ação e complexa para quem quer descobrir os segredos do cenário.
A trilha sonora é envolvente, e a história; esse é o ponto; a história é perfeita para esse tipo de mídia.
Em um livro essa história pareceria segmentada, com sub-clímaxes desnecessários; em um filme, ficaria superficial; em história em quadrinhos seriam desperdiçadas as possibilidades de interação; já para o videogame, essa história é potencializada em todos os seus aspectos.
O jogo começa com a apresentação de parte do cenário, o tutorial do jogo insere um mistério, a história começa a ser contada, a jogabilidade diverte nos momentos de ação, um segredo é revelado, algum tempo procurando o caminho pelo cenário para aumentar a imersão, um minigame deve ser resolvido para se entender parte do paRememberMe03ssado da personagem, na sequência, mais um momento de jogabilidade com muita ação, e depois uma nova fase começa.
É nessa fase em que estamos, uma fase em que as várias mídias e suas misturas possibilitam novas maneiras de contar histórias.

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