Jogos e educação – parte I

Olá amigo(s),  agradeço por você entrar e curtir o blog! Sou pesquisador na parte de jogos, então, aos poucos vou colocando aqui os frutos de minha pesquisa! Espero que goste!

Análise geral

No geral, a humanidade busca, constantemente, a plenitude do ser humano em qualquer fase de sua vida, como também no seu cotidiano. Nesta busca pelo manual mágico da plenitude, a ciência tem contribuído apontando caminhos, desmistificando conceitos e abrindo perspectivas para a mudança dos paradigmas vigentes. Estudos sobre o cérebro humano e a ludicidade recebem nossa atenção especial, pois se utilizados como estratégia de desenvolvimento, levam a uma vida mais plena e prazerosa. Com base nos estudos de Ned Herrman e Roger Sparry  da década de 50, que dividem o cérebro em hemisférios, pode-se concluir que atos racionais e lógicos estão Printligados ao hemisfério esquerdo do cérebro (que é muito mais utilizado em situações de nosso cotidiano) enquanto o lúdico e  emocional se concentram no hemisfério direito do cérebro.

No estudo do mapeamento cerebral foi determinado que o brincar está localizado no quadrante superior do hemisfério direito do cérebro. Como se sabe, a mente humana tem potencial ilimitado e o homem usa muito pouco deste potencial. Inúmeras pesquisas apontam um percentual de utilização do cérebro que varia de 1% a 10%. Portanto, há uma fonte inesgotável de possibilidades a ser ainda explorada. Destes 10%, analisando os paradigmas vigentes, percebe-se que a racionalidade ocupa grande parte deste percentual, ficando cada vez mais claro o quanto o ser humano não se utiliza da ludicidade como uma estratégia de desenvolvimento. Assim o jogo didático pode “provocar” um equilíbrio entre os dois hemisférios pois misturamos o brincar com  raciocínio lógico.

Na questão do uso de jogos, segundo CHATEU (1984) “… é muito claro que o jogo exercita não apenas os músculos, mas a inteligência”, assim podemos pensar em aplicar o mesmo para o aprendizado, porém devemos saber que conscientemente não se sabe que está havendo uma aprendizagem, uma assimilação de algum tipo de conhecimento ou a absorção de outros subsídios ao desenvolvimento intelectual, físico e motor, e PIAGET (1971) considera o jogo como consequência do desenvolvimento intelectual, porém podemos pressupor que o jogo pode causar o desenvolvimento do ser, em um ciclo vicioso positivo, no qual o jogo leva ao desenvolvimento e este leva a jogos mais complexos (Soares ,2008).

O trabalho realizado em comunhão de ideias e coparticipação proporciona a todos, uma disponibilidade de participar no ato coletivo, gerando momentos de entusiasmo, boa convivência em grupo, cooperação e alegria.

Os jogos que as pessoas participam, inventam, se interessam, enriquecem os esquemas perceptivos(visuais, auditivos, sinestésicos), operativos(memória, imaginação, lateralidade, representação, análise, síntese) que combinam com a coordenação motora.

Ao pensarmos no desenvolvimento de uma criança, o próprio fato de estar em fase de crescimento faz com que a mesma se sinta impelida ao exercício físico. O jogo, por sua vez, exercita de maneira muito variada todas as possibilidades físicas da criança: resistência física, respiração, força muscular, flexibilidade das articulações, habilidades variadas, agudez de intuição, rapidez mental, agilidade, precisão de gestos, coordenação de reflexos, equilíbrio, etc. Pode-se objetar que a ginástica também tem esses efeitos. Sem dúvida. A diferença está em que o jogo interessa à criança, enquanto a ginástica é vista como uma obrigação a ser cumprida.

Nem sempre o ser humano tem possibilidade de se expressar com liberdade e espontaneidade em família ou na escola. Será no jogo que o mesmo irá se manifestar ele mesmo, sem inibições e sem censuras. Muitas inibições curam-se com o jogo. No momento de jogar, a pessoa sente-se feliz e não se preocupa com o que está ao seu redor.

Sabemos que a partir dos 3 anos, uma criança necessita de um grupo. Essa necessidade irá aumentando sempre mais no decorrer da infância, adolescência e juventude, até desabrochar no convívio social do adulto, para quem os contatos são de extrema necessidade.

O grupo social em que vive cada pessoa tem suas leis e seus regulamentos. Confere a cada participante certos direitos, mas impõe também certos deveres onde a descoberta e integração no grupo social chama-se socialização. Este é um processo que se desenvolve aos poucos, gradualmente e com passos lentos no desenvolvimento humano.554583_194664357316091_1562860708_n

Através do jogo, podemos criar todas as situações do processo de socialização e ajudar na convivência com seu grupo social. É um aprendizado suave, divertido e que lhe proporciona constante alegria. No jogo aprende-se a colaborar, a repartir, a observar um regulamento, a ceder o individual para que o grupo vença: aprende-se a vencer e a perder.

Quando observamos um grupo jogando, brincando, percebemos como são felizes. Vivenciam um mundo criado pelo jogo. Os indiferentes aos poucos se aproximam, os agressivos aprendem a controlar-se, os mandões transformam-se em líderes, os egoístas repartem. Na convivência com o grupo que joga, vai se afirmando uma personalidade equilibrada e sadia.

Podemos sintetizar alguns dos valores do jogo da seguinte maneira:

— é fonte sadia de realização e diversão;

— é maneira de desenvolver-se fisicamente;

— é estímulo ao progresso, ao desenvolvimento da personalidade;

— é aprendizado para vida em sociedade;

— é descoberta de capacidades e limites;

— é meio de cura para traumas e complexos;

— é descoberta do valor da pessoa humana;

— é respeito pelo ser .

Para que o jogo alcance o objetivo de dar prazer e alegria, requer-se, como condição indispensável, que haja total liberdade de participação. Não devemos jamais obrigar uma pessoa a jogar.

Após estas considerações iniciais sobre o jogo, como elemento indispensável na vida, vejamos agora algumas de suas características: O jogo não é utilitário, isto é, não é um trabalho, apesar de se empenhar nele todas as suas energias; não lhe interessa o resultado do jogo, mas o fato de jogar.

— O jogo é gratuito. A finalidade do jogo é a alegria de jogar, e por isso mesmo devemos abolir o sistema de premiar os vencedores. O maior prêmio para um jogador é ele poder jogar.

— O jogo é escolhido livremente. Quanto mais houver participação na escolha do jogo, mais a pessoa se interessará na sua realização.

— O jogo sempre lhe traz prazer. O prazer de superar obstáculos e vencer dificuldades é maior que qualquer recompensa.

— O jogo é um meio da pessoa superar suas tensões, portanto é um descanso, mesmo quando implica em desgaste físico ou mental.

— O jogo é sempre um motivo de alegria, pois a pessoa coloca nele toda a sua personalidade.

— O jogo é fator de equilíbrio , pois se escolhe não por refletir e compensar algo que lhe falta, mas num impulso para o que lhe dá a maior alegria.

Referências Bibliográficas

 

  • BROUGERE, G. Jogo e educação. Porto Alegre. Artes Médicas, 1998.
  •  CAVALCANTI, E.L.D.-O lúdico e a avaliação da aprendizagem: possibilidades para o ensino e aprendizagem de química – Programa de Pós Graduação multi-institucional UFG/UFU/UFMS: Doutorado em Química, Universidade Federal de Goiás, 2011
  • CHATEAU, J. O jogo e a criança. São Paulo. Summus, 1987.
  • CUNHA, M.B. –  Jogos no Ensino de Química: Considerações teóricas para sua utilização em sala deaAula –  QUIMICA NOVA NA ESCOLA,  Vol. 34, N° 2, p. 92-98, 2012.
  • HUIZINGA, J. Homo Ludens –6ª edição, Editora Perspectiva, 2010
  •  KISHIMOTO, T.M. (organizadora) – Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação – 14ª edição, Cortez Editora, 2011
  •  KISHIMOTO, T.M.  O Brinquedo na Educação:Considerações Históricas – : Série Ideias n. 7. p. 39 a 45, São Paulo: FDE, 1995.
  •  MARCATO, A. Saindo do quadro – 1ª edição,Edição do autor, 1998
  •  MATHIAS,G.N. O Uso de Jogos Pedagógicos no Ensino de Química: uma Perspectiva do Enfoque CTS – Programa de pós graduação: Mestrado em  ensino de ciências e matemática,Universidade Cruzeiro do Sul,  2009
  •  PIAGET, J. A Formação do Símbolo na Criança. Imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Trad. Alvaro Cabral. Rio de Janeiro,Editora  Zahar, 1971.
  •  QUÍMICA NOVA NA ESCOLA , Os jogos educacionais de cartas como estratégia de ensino em química – Vol 34, No 4, p.248-255, NOVEMBRO 2012.
  •  SANTOS, S.M.P. Ludicidade como Ciência –1ª Edição, Editora Vozes, 2001
  • SANTOS, S.M.P. O lúdico na formação do Educador – 9ª Edição, Editora Vozes,2011
  •  Soares, M.H.F.B e CAVALHEIRO, E.T.G. –  O ludo como um jogo para discutir conceitos de termoquímica, QUÍMICA NOVA NA ESCOLA, No 23, 2006
  •  Soares, M.H.F.B – Jogos para o ensino de química: teoria, métodos e aplicações. –  Editora Ex Libris, 2008
  •  Soares, M.H.F.B – O lúdico em química: jogos e atividades aplicados ao ensino de química  – Programa de pós graduação:Doutorado em Química, Universidade Federal de São Carlos, 2004
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